Lugar
nesse buraco negro. Ou talvez mergulhar no olhar alheio, pois parece que existe nesse um lugar distinto mas reconfortante, doravante seja apenas sonho e miragem que se dá perante a febre da vida.
:banda
Boddah Diciro

Banda brazuca, do Tocantins, que pratica uma música frequentemente rotulada de post-grunge e lança seu primeiro cd esse ano. Som muito bom. Quem quiser ouvir, segue o link para o Trama Virtual, onde é possível escutar todas as faixas do primeiro e único cd e também baixá-las, depois de se cadastrar.
Link: http://tramavirtual.uol.com.br/artistas/boddah_diciro
Curtam.
Untitled
Livre. Como um poema livre. Um cavalo livre. A liberdade que nem sabe que é liberdade. Quando se nomeia a liberdade, A jogando na face lisa, Corre-se o risco de assustá-la e o tempo súbito se esgota, Indo-se a liberdade e deixando em seu rastro um vazio. Uma estrada vazia esperando pés. Pés vazios na estrada. O entardecer, O alaranjado cerúleo. A paz celeste De poder nao ter explicação. A divina comédia, A festa. Festim! Boca nenhuma jamais falará o que sou. Apenas a boca insana desse momento pode Supor Que me conhece. Não tenho começo, Meio Ou fim. Sou untitled. Sem regras, Sem domínios, Sem olhos, Sem moldura que me delimite. O que tenciono dizer é Untitled. Esse é o título desse poema imperfeito.
Não sou poeta:
Outro fruto imperfeito, criado sem qualquer responsabilidade:
“Lixo: prolixo. Porque o que é prolixo As vezes é lixo E vai para a caçamba que passa sempre As terças-feiras. O que é Escuro Um dia já foi claro. Se nunca foi Um dirá Será. Virá A luz que dissipará As trevas. E a rosa que Cairá dos céus, Sôfrega E vermelha, Como um beijo De despedida, Acabará com A minha Sede de imensidão e incongruência. Não é isso que se espera? Que o que se desvela Seja tão claro e tão misterioso? O que é prolixo é matéria para a Inquisição. É o ranso de uma maldição. É uma maçã Azul Que repele o toque da mão que a toca. É uma satisfação porca, Muito ao feitio do homem perverso. Estou aqui para aprender A maquiagem Do palhaço. Para solicitar um abraço. Só para rimar: regaço. Para lavar Das mãos todo esse sangue E ir comer alguma coisa mais doce. Guardar a minha foice E ir ouvir uma canção de amor. Estou aqui para morrer. Esquecer que Já fui Eu. Porque tudo o que é Eu É lixo: É prolixo. Estou aqui para me assegurar… Os pés batendo no piso de concreto O inseto. Morrer é difícil, Quando o que vem após a morte é um contrário. Um negativo. Abandono Eu. O vingativo. Não é tão fácil. O ser humano não consegue se livrar Do lixo. Do bicho da sua intuição. O ser humano, Eu, Quando não é sujo é apenas um arremedo De alguém que arremeda Alguém Que arremeda Alguém Que arremeda Alguém. Com toda a desculpa E licença da palavra: Merda. Enquanto como a Merda, Me sinto melhor. Receio que a caçamba do lixo Prolixo Ficará sem essa carga por essa semana. Eu permanecerei Sendo um pouco mais Eu, Mesmo que de nada isso importe. .”…
Estava em frente ao espelho um pouco inclinado da parede oposta. Na parede oposta. Apenas o espelho era inclinado, a parede não. Talvez ele também estivesse um pouco inclinado para a direção do espelho, como se quisesse mergulhar dentro dele. Talvez estivesse delirando. Alucinando. Ele estava na parede oposta, observando o espelho na parede a sua frente, com os olhos um pouco apertados, um pouco abertos, dentro daquela sala fechada. A porta é que estava fechada. A janela é que estava fechada. A sala estava aberta para algum lugar. Para o interior da casa, os corredores, os túneis, as cavernas. Para o interior do interior dos interiores das casas. Seu interior escorria como um pequeno rio d’água calma e frágil. O seu interior, não o da casa. Seus pés molhados. Sua cabeça inclinada para uma direção impossível, sua boca aberta. Estava mesmo aberta ou entreaberta? Não se podia ver claramente, exatamente, a conjuntura exata da forma da sua boca de lábios bem desenhados pelo escultor. Súbito a janela se abrindo sem que ninguém estivesse a tocando… O pequeno ferrolho se levantando, arranhando no ferro, e então lentamente a janela de vidro se abrindo. Ficou aberta. Uma pequena lufada de vento, um pouco visível a olho nu, insinuou-se na sala e fez o reflexo do espelho tremer. O espelho inclinado cuja parte superior era presa à parede por cordões de algodão. A pequena água congelou-se e seus pés também congelaram. Havia a moldura amarela do espelho, laqueada, espelhada, grosseiramente disponível á ira dele. Mas ele não estava irado. Ele apenas estava em frente ao espelho um pouco inclinado. Na verdade ele estava a um metro e meio do espelho, parado, apoiando o peso do corpo mais em uma perna que na outra, já sentindo um certo cansaço, um leve desconforto e uma fadiga, mas ainda imóvel. Os cordões de algodão foram lentamente se afastando dos pregos, deslizando, o reflexo do espelho se inclinado, como se um espelho de água estivesse prestes a engolfá-lo.
Mil estilhaços de diversos tamanhos e pontas voaram pelos ares, quando o espelho caiu no chão de cimento queimado. Mil pedaços de imagens fragmentadas, pequenas, irregulares, humanas, com minusculas gotículas de sangue, espetaram-se nos braços dele que estava postado perante o espelho. Estava um pouco inclinado a pensar que nem tudo o que se vê é passível de palavra dita ou escrita. Talvez a dor fosse mais real e misericordiosa que a idéia ou o vagalhão de mar adoecendo o peito. Talvez fosse necessário uma mordaça. Ou uma focinheira. Ou uma máscara.
Talvez fosse necessário expulsar os fantasmas de casa e derreter o gelo que se espalhava.
:Música
Muito bom o novo álbum do Arcade Fire, “The Suburbs”.
Não sou crítico de música, e odeio os posts que abundam por aí, falando arbitrariamente mal dos cds e filmes.
Na verdade, odeio também a crítica.
Vim aqui apenas para falar do meu sentimento com relação ao cd.
Gostei muito.
Logo de início, a primeira faixa, que dá titulo ao disco, já me cativou pela sua simplicidade e saudosismo. Sem ser piegas. Para quem conhece a banda, que utiliza-se de instrumentos clássicos como violino e harpa (entre muitos outros) nos arranjos das músicas, o que fez muito bem nos anteriors “Funeral”(2004) e “Neon Bible”(2007), esse novo trabalho pode parecer menos … eu diria pitoresco (rsss…) do que os outros. Li críticas dizendo que o som estava mais amadurecido. Concordo. Achei mais simplificado, sem muitas estripulias, mas extremamente tocante, sendo capaz de transmitir um sentimento de saudade. Existem faixas que gostei mais, outras menos, mas, numa visão geral, o álbum me causou o que se propôs.
Minha impressão, curta e sem brilhantismo técnico.
…
Algum tempo atrás fui capturado pelo universo preto-e-branco do post punk.
Consequentemente também pelas bandas de post punk revival, como Interpol, White Lies, Editors, buscando bandas similares.
Logo após migrei para o gótico dos anos 80, especialmente para o som do The sisters of Mercy e da banda The merry Thoughts, com um som muito similar ao do Sisters.
Li sobre o surgimento, sobre o bar Batcave, que deu origem ao estilo musical.
Ainda estou com os ouvidos cheios desses ecos musicais, desses baixos marcados e vozes roucas…
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Novo cd do Interpol:
Experiemntal, com algumas poucas músicas lembrando os cds anteriores, mas nem por isso inferior. Ao meu ver.
Curioso o clipe de “Lights”, primeiro single lançado pela banda. O diretor do clipe, Charlie White, é um dos precursores de uma nova tendência estético-ideológico-artística denominada de “Inorgânico”. Em linhas (muito) gerais, trata-se de uma nova visão do homem contemporâneo, caracterizada pelo minimalismo e pelas coisas de formas lisas e artificiais, sendo inclusive o besouro uma representação dessa tendência, com sua casca dura por fora, como uma embalagem, guardando seu interior. Esse uviverso é marcado por objetos futuristas que se encaixam, metaforizando o homem perverso que se satisfaz sexualmente com objetos inanimados ou sem emoções. O homem fetichista.
O clipe sinalizou para os rumos do novo trabalho.
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#Primeiro dia (2):
Fecho os posts do primeiro dia ouvindo ainda a música contemporênea e ruidosa.
Peço desculpas pela inexperiência… espero melhorar.
As possibilidades são tantas, os caminhos são tantos e tão tortuosos… não existe um horizonte capaz de ser esquadrinhado pelos olhos.
Aos poucos a mão irá parando de tremer e o rascunho poderá fazer emergir uma imagem.
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#Primeiro dia
Enquanto ouço uma música contemporânea e ruidosa, estou aqui postando o primeiro escrito digital desse blog.
Blog que criei seguindo os conselhos de um novo amigo virtual.
Para aplacar as águas convulsivas que se agitam dentro de mim … (isso é dramático demais!, rsss…)
Primeiro dia. Não sei se virão outros…
Eis aqui um fruto imperfeito:
“Simbiose V.S. Amantes caídos uns sobre os outros. Touros. Flores. Pedaços mnêmicos flutuantes… Cúpulas sagradas e oráculos ritualisticamente vermelhos … O pêndulo. A inclinação do pescoço e a atuação muda, expulsando para fora dos olhos os demônios contidos nos pequenos jardins suspensos por fios de cabelo e de ceda pura. Fiando a amargura da felicidade… Enormes véus cobrindo nossos enormes corpos andantes, indo para o fim do caminho. Gafanhotos cigarras. Copos caídos. Paredes caiadas. Cigarros deixados no chão, no final do beco da rua dos loucos, rosários conversando sobre a boca dos crucifixos e anões voadores subindo céu abaixo. Embaixo, o pé. Embaixo, a cabeça do invertido. O punho segurando a mão que segura a faca que segura o coração que segura o sangue que segura o olho escorrendo sobre ele e grunhindo súplicas de amor. O beijo das barrigas. A crina grossa da pessoa humana, sobre cujo ombro humano o cavalo senta e o faz correr pelo prado. Os trovões todos enrolados nas nuvens, fazendo sexo. Os violões e violoncelos. As cordas vocais. Fruto do ventre extraído pela escavadeira rústica, cratera de carne e sangue exposta como uma carcaça de boi deixada na beira da estrada, ás cinco e quarenta e dois da tarde… Habeas corpus. Formigas fulminando no minimalismo soturno, andando no escuro das horas altas e batendo o queixo de frio, corcundas de botas altas, luminárias candeeiros a gás e a óleo de baleia, sebo de porco, chouriço, fungo comestível, barril de lama para saborear, prato decorado de Portugal, pestana grossa caída sobre o braço torneado, olhar cansado, estuprador e assassino, Frankenstein, Lolita, besouro fétido, o vai e vem no meio da casa, a lida, a comida, o tempero, a rotina andando pelo meio da casa, abrindo a porta e saindo, depois voltando com os cachorros cansados na coleira. Orelhas alerta. Focinho molhado fungando, procurando. Sabujo. Espiga de milho, ressecada no pé magro e só no meio da caatinga. … Esquecimento. Mas sempre que desperta relembra de tudo e então cerra os punhos com o serrote. Os fecha, bota cadeados, tranca tudo, é verdade o que acontece. Não é mentira não. Pode constatar. É verdade. Desarma a arma que tem na boca, despeja na pia todas as balas depois gira o tambor ladeira abaixo… Não precisa ter fim. Não precisa ter começo. Precisa apenas ter alguma coisa que seja um meio com suas bordas um pouco tênues ou grosseiras. Grosso modo. Touros caídos uns sobre os outros. Amantes. Pedaços mnêmicos de flores flutuantes…” É isso.